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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Educação não é obrigação apenas da Escola

Não se pode perder de vista a abrangência do termo “educação”, que age como catequizadora e inseridora dos humanos no aglomerado cultural onde se relacionam, moldando-os constante e gradualmente conforme as exigências impostas por ele. É a representação de todo o complexo de aceitações, normas e valores inseridos em cada sociedade distintivamente, está intrinsecamente ligada à escola, mas não é função exclusivamente desta a transmissão dos requisitos educadores, que atua simplesmente como reforçadora e ampliadora das informações, pois na verdade a família e o próprio meio de convívio do cidadão o educa. “Não há uma forma única nem um único modelo de Educação; a escola não é o único lugar onde ela acontece”.(BRANDÂO, 1999).

A Educação permite ao indivíduo um grau maior de reflexão em torno da realidade em que participa, seja ela de cunho social ou não e, ainda deve proporcionar a esse indivíduo a sua adaptação ao meio e a descobertas das maneiras de como combater e alterar as imposições massacradoras do Estado. Também o faz ser aceito como "humano" para a visão política, econômica e sociocultural. Apenas um homem “educado” é capaz de transformar a sociedade, pois possui maior facilidade de perceber os problemas sociais.

A educação não funciona somente como a transmissora de saberes e conhecimentos, ainda permite que as pessoas encontrem por si só, saídas para se libertarem das dificuldades que as cercam, e a responderem por si mesmas. “Para além da questão da socialização ou da construção dos saberes, o processo educativo é indispensável para a estruturação da pessoa; ele deve criar condições para que o sujeito, desafiado por uma situação sem saída, possa tornar-se ator de sua própria vida, abrindo-se a novas possibilidades”. (Marpeau, 2002).

As responsabilidades com todas as funções educativas foram automaticamente transferidas da família para o Estado, e este, dissimuladamente, as lançou sobre as escolas, que sobrecarregadas nunca conseguiram exercer o papel que lhe foi imposto. Por tal fato ao longo da História surgiram várias tendências com objetivo de aprimorar o modo de se educar, e hoje, mesmo que se prega uma educação voltada para a análise crítica das realidades sociais - a chamada “Progressista” - não deixou de ser usado o modelo educativo tradicional, ou melhor, na verdade foi feita uma verdadeira unção - ainda que imperceptivelmente, a forma trabalhada nas escolas reúne características de todos os tipos de pedagogias defendidas no decorrer dos tempos.

E melhor do que nunca o processo educativo está sendo responsável pela formação de indivíduos sociais capazes de ter uma visão panorâmica do contexto global, permitindo-lhes maior questionamento e resoluções dos problemas sociais decorrentes. Mais eficaz ainda será se essa melhoria nortear a realidade municipal e, conseqüentemente, nacional, legitimando a formação de cidadãos críticos e autônomos intelectualmente, suficientemente capazes de propiciar intervenções significativas na sociedade.

Referências
BRANDÃO. Carlos Rogério. O que é Educação? São Paulo: Editora Brasiliense, 1999.
MARPEAU, Jacques – O Processo Educativo – A Construção da pessoa como sujeito responsável por seus próprios atos. Porto Alegre, ArtMed, 2002.

Bibliografia

Educação não é obrigação apenas da Escola por Valdirene do Carmo

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

O PRECONCEITO RACIAL NA EMPRESA É PRÁTICA TÃO DIFUNDIDA QUANTO DANOSA





A discriminação nas sociedades humanas é um quesito além de bastante difundindo, pernicioso e, onde existe a diferença, existem indivíduos prejudicados por pertencerem a um ou outro grupo que foge a determinadas normas. Ela é prática quase universal, entretanto nem todas as discriminações são iguais, a diferença fundamental é o grau. Em muitos aspectos da vida, a discriminação é difícil ou impossível de se medir, mas, em outros, a sua mensuração é possível.

No decorrer histórico: escravos pobres, rejeitados, açoitados, analfabetos, operários, entre outros, foi a maneira como a imagem do negro pôde ser incorporada pela sociedade e influenciar no contexto atual, e embora sendo um assunto bastante discutido a sua exclusão ainda é eminente quando se trata do acesso à igualdade e ao bem estar social.

Os seres humanos, ao longo do desenvolvimento das diversas culturas, puderam construir a sua existência pautada na habilidade maior ou menor de dominar o Universo, através do significar e ressignificar dessas habilidades encontraram formas mais propícias de se impor no ambiente e alcançaram estágios mais complexos de desenvolvimento. Ao administrar sua capacidade de dominar o ambiente, o homem, provocou uma abordagem que se desencadeou na sustentação das relações de trabalho e, conseqüentemente o surgimento de duas classes: uma opressora e outra oprimida.

Como todos os espaços e tempos são mutáveis essas relações não poderiam permanecer constantes, mudando apenas as condições de opressão. “Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestres e companheiros, numa palavra, opressores e oprimidos” (Marx apud
Sant’ Anna 2002, p.44). Apenas os tipos particulares de classificação se alteraram, obviamente, com o passar do tempo, porém, os preconceitos profundos passam diretamente de um sistema social para o outro se adequado aos interesses das classes exploradoras. Dessa forma, o racismo persistiu como um instrumento de opressão e discriminação em sua história, fato que conduziu os negros para empregos de status
inferiores
e menores remunerações. Nesse sentido, abordar o mercado de trabalho no Brasil é retomar o processo de constituição da ideologia racial implementado por intelectuais e pelas classes dominantes.


A desvalorização do negro se dá dentro de um contexto histórico pautado da relação de escravidão ao processo de economia moderna, devido ao seu passado escravo e tardia inserção à educação e no mercado de trabalho, teve como conseqüência um posicionamento desfavorável e desigual no que diz respeito à distribuição de renda, educação e profissões.

As estruturas do Mercado de trabalho sendo de cima para baixo, tendenciou privilegiar os indivíduos brancos, dificultando o acesso de outros grupos étnicos, baseados na ideologia da superioridade de capacidade desses indivíduos.

Diante disso, essa idéia de inferioridade norteou os sujeitos negros e, ainda, contribuíram para legitimar a discriminação racial no mercado de trabalho brasileiro que até hoje sustenta a desigualdade de oportunidades entre os grupos raciais. Diante dos integrantes de algumas profissões é possível perceber que na maioria delas, principalmente as de alto nível de aceitação, são compostas por brancos. No decorrer da história das sociedades a maioria das empresas tinha preferência por um certo tipo de empregado que fossem influenciados pelos mesmos estereótipos e mesma concepção de vida. Hoje a situação necessita e deve alterar-se.


A opção por uma equipe de trabalho multicultural e multirracial é a melhor solução que qualquer empresa pode adotar. Além de propiciar vantagens a empresa por ficar imersa a concepções pluralizadas, traz a idéia de ceder oportunidade a qualquer pessoa independente de sua cultura, cor ou credo.

A afirmação da identidade cultural negra nos remete à discussão acerca da participação e acesso a oportunidades sociais, como a inserção irrestrita dos negros no mercado de Trabalho. Desta maneira, provocar o resgate de prejuízos ocasionados pela escravidão cuja prática segregativa fez com que muitos resquícios coloniais e imperiais ainda apareçam hoje. Nesse sentido, a tolerância e o respeito às diferenças são alguns pressupostos à inclusão do negro na sociedade.

A reparação da inserção do negro no Mercado de Trabalho vem sendo na verdade um desafio na luta pela igualdade racial, onde precisa estar relacionada a movimentos políticos e sociais que compactue ajustes de inclusão racial no Brasil. Visto que, se faz necessário, atentar para as falsas preleções antidiscriminatórias sobre o negro, muitas vezes escondidas no discurso da diferença pregado por muitos, ou para escapar das pressões de aparelhos ideológicos do Estado.

Essas questões raciais são mitos também introduzidos no diálogo das empresas, que muitas vezes escondidas no discurso de que respeita as diferenças, negam suas afirmações quando tem sua equipe de trabalho visivelmente “embraquecida”. A existência de desmerecimento entre raças dentro da empresa geralmente não é exteriorizada, portanto em outros momentos e contextos, se autodenunciam por meio de situações nas quais o preconceito racial se faz presente. A discriminação em nosso país é densamente dissimulada.


Talvez não se comercialize mais o corpo do negro ou do trabalhador como noutro tempo, porém, infaustamente, se negocia com a sua identidade, atribuindo-lhe uma carga de desvantagem e segregação que se iguala à venda de seu corpo.


Bibliografia: Sant’Anna, Sílvio L. Marx: vida e pensamentos. Ed. Martin Claret. São Paulo, 2002.


Dia de MorrenDo

Iiii...Q dia chatinho hoje...a hora não passa.. não passa...não passa...não...passa...passa...hora..passa!

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